segunda-feira, 14 de junho de 2010

Aos céus...

Hoje, uma postagem bem minha.
Pra agradecer! Agradecer pelas coisas maravilhosas que estão acontecendo na minha vida, ultimamente.

Não tenho palavras pra descrever como estou feliz fazendo Avenida Q. É, simplesmente, a realização antecipada de um sonho na minha vida! Eu sempre fiz e amei fazer teatro, mas, como minha vida não foi necessáriamente um "mar de rosas", nunca tive muita grana e tempo pra estudar as coisas que me deixavam realmente realizado.

Meus planos de vida eram, até os 24 anos, ter me formado, estar em forma - fisicamente - fluente em pelo ou menos 2 línguas, e ter conseguido trabalhar, como "coro", em algum musical que viesse para o Brasil. Mas, eu jamais pude imaginar que aos 21 anos eu fosse protagonizar um musical que, no meu ponto de vista, foi a melhor coisa em cartaz em 2009.

Eu assisti Avenida Q em São Paulo e me apaixonei. Nessa época, ainda tava trabalhando na TAM; e vivia recomendando aos meus amigos que fossem assistir ao espetáculo, porque é simplesmente fantástico! Daí, a vida me reserva várias surpresas.

Bom, depois que voltei de Londres, no começo desse ano, fui fazer o TeenBroadway de férias, com Maiza Tempesta. Ela me chamoou pra dar "uma força" na parte de coreografias. Meu, isso pra mim já foi uma realização, porque só eu sei quanto admiro a Maiza e soou grato a ela por tudo que aprendi, de graça, nos Teen's da vida! Poder retribuir alguma coisa, com meu trabalho, foi muito legal. E lá eu conheci o Adriano DiSidney (preparador vocal do Teen e do Avenida Q).

Mas, depois do curso, na noite do dia 21 de fevereiro, eu estava na Bela Paulista comendo com uns amigos e falando que não ia mais fazer teatro. Que havia sido legal enquanto aquilo durou na minha vida, mas, que pra mim não dava pé. Eu, inclusive, já havia me inscrito pra um concurso público pra trabalhar no metrô de São Paulo. Mas, ao sair da Bela Paulista, meu telefone tocou e eu recebi uma mensagem de voz me "convidando" pra fazer o teste, que seria fechado, para o Avenida Q. Surtei!

Daí, fiz o teste, sem muita pretenção de passar, porque só tinha gente muito boa lá, e eu era o mais jovem. Mas, na segunda feira seguinte, recebi a melhor noticia da minha vida. Não só havia passado, mas, como primeira opção e para o personagem protagonista do espetáculo! Doída essa vida, não!

Desde então, só tenho experimentado felicidades (claro, e algumas desventuras também).
E, o motivo desse post é só compartilhar que fiz ontem, domingo, 13 jun, a apresentação mais prazeirosa de teatro que já tive na minha vida. Simples motivo: ingressos a R$1,00. Havia pessoas no teatro perceptivelmente humildes. Gente que, normalmente, não poderia gastar uma grana pra ver uma peça, ainda mais um musical - que costuma ser mais caro. Havia mendigos, pessoas com necessidades especiais, algumas pessoas maltrapilhas. Gente que não teria como pagar os R$15,00 do ingresso da temporada popular do espetáculo. E, nossa, fiquei muito emocionado com isso ... esse é o tipo de teatro no qual eu acredito!

Eu acho que o teatro tem o poder de mudar pensamentos e, porque não, a vida das pessoas. Um ator é um sacerdote da sociedade e seu oficio o flagela também. Mas, a recompensa as vezes vem! E essa apresentação foi uma recompensa. Ao público de ontem, meu muito obrigado (escrevo aqui, mesmo sabendo que muitos deles sequer terão oportunidade de ver essa mensagem).

Isso faz tudo valer a pena! Mesmo havendo algumas pessoas que criticam o trabalho de alguns colegas de espetáculo, coisa que me chateia bastante, e mesmo ornam pseudo-críticas sobre meu trabalho. Nada disso importa, porque, tantas almas pequenas jamais vão entender a grandeza da arte e o poder que ela tem. Aqueles que se valem da forma, nunca chegarão a conhecer o conteúdo!



E, nesse momento, meu conteúdo é inundado de felicidade....
É infinitamente bom poder agradecer às pessoas e ao universo pelas coisas que me ocorrem. Sou grato, muito grato à todos que me ensinaram algo, mesmo aos que me ensinaram a errar, porque senão, não teria conhecido o caminho do acerto. Sou grato por ser integro, por meu corpo estar inteiro, por minha alma estar plena, e porque estou vivo!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A dança das horas ...

As vezes me sinto um velho
Fantasiado fisicamente de juventude
Pois "esqueço" de poder ter o não-senso que é a impulsividade
E me corrói o futuro
Tenho sintomas de uma alma morna-fria
Mas a pele ainda me é quente
Eu presumo que a beleza me inunde
Mas ao vê-la, dela duvido pois é efêmera
Penso.Penso.Penso. Não deveria.
E me assusto quando as palavras à boca me gritam
Muito movimento me assusta
Mas, em contrapartida, muita calma não me apraz
Não sei se envelheci e meu corpo não me acompanha
Mas tento continuar fresco nas alheias memórias
Memórias que ao tempo esquecem
Ao passo que sei que por dentro as horas se passam
Por fora, rezo para que as primaveras se alonguem
Gostaria de acertar este ciclo
Para me acertar comigo, em mim.
Enquanto esta destemperança do "ser" insistir em "estar"
Estarei eu vivendo. Com mais - menos anos.



Roberto Donadelli
Segunda, 8 de fevereiro de 2010.

A cada dia uma pequena nova morte.


(Foto minha mesmo, de um cemitério em Edimburgo - Escócia)


Minha versão em português para a música "Everyday a little death", de Stephen Sondheim, do musical A little night music:
Todo dia é sempre assim
Morre um pouco mais de mim
Dos meus sonhos e da vida
Morre a rosa no jardim
Uma funda incisão
Na cabeça e coração
Que não vai cicatrizar
Só pra me fazer sofrer
Só pra me fazer chorar
Seu sorriso doce vem dizer
(rindo) Coisas que eu já sei
Poderia esquecer
Mas não dá...
E rasgar meu coração
Com um sussuro ou uma canção
O amor é um jogo sujo (Ô se é, ah se é)
Que te faz se embriagar
Se perder...
Desejar o fim da vida (Também sei)
Se matar...
E fingir não enxergar
Sem as dores de amar
Amar fundo como o habismo (Ô se dói)
Todo dia é sempre assim
(Mais um dia sempre assim)
Morre um pouco mais de mim
(Alegria chega ao fim)
Dos meus sonhos e da vida
(No meu corpo, em minha mente)
Morre a rosa no jardim
(Pra fingir que estou feliz)
Uma funda incisão
(Mais um dia a solidão)
Na cabeça e coração
(É que vem me acompanhar)
Que não vai cicatrizar
Só pra me fazer sofrer
(Cada dia eu quero mais)
Só tentando me matar...

sábado, 22 de agosto de 2009

O OUTRO



Breve reflexão sobre a importância do outro para o eu ...


O pior da existência humana, no ponto de vista do individualismo, é que para existirmos dependemos do outro. Se observarmos, para que um “eu” possa ser alguém, é preciso que aos olhos do outro ele seja reconhecido e este reconhecimento esteja pulgente.

Bem, fácil constarar: se nos olhamos no espelho, jamais veremos nosso próprio rosto, nossos próprios olhos. Fato! O que vemos é um reflexo, correto? E o que te prova que o que você vê é condizente com a realidade total de sua aparência e sua existência?Então, convenhamos que aos olhos da existência singular um individuo não pode sequer conhecer sua própria aparência física real, em virtude destas possiveis distorções que sua propria percepção através do meio fisíco, representado pelo espelho e, com isso, dependa do outro para tal.

O mesmo acontece para a vida social. Em uma sociedade temos niveis de reconhecimento que distinguem as categorias existênciais dos seres humanos. Há aqueles que são conhecidos por pequeno número de pessoas e aqueles que são conhecidos de todo um grupo social. Isto provavelmente explica o desejo de uma criança ou jovem em se tornar artista ou alguém famoso: é neste período da vida que mais se busca o próprio espaço e o reconhecimento de tal existência por parte do outro, lançando sua imagem à aprovação dos demais. E continuamos a fazer isto pelo resto da vida, o tempo todo, seja na forma como nos comportamos, vestimos e na opção por itens que atribuem status pessoal a um ser – itens que também podem ser considerados como os atrativos exteriores do ser – de forma que o status se converta em coeficiente de atratividade.

Não desconsidero, claro, que tenhamos uma percepção do nosso próprio “eu”. É algo plausível que nos vejamos por nossos proprios parâmetros e nos julguemos segundo nossos conceitos. Mas, onde quero chegar é que para o ser humano, enquanto animais sociais e simbólicos que somos, temos a profunda necessidade de sentir o reconhecimento advindo do outro.

Ora, quanta pretensão da minha sutil animalidade racional, querer existir no mundo das coisas de um outro alguém. Mas que lástima ter que depender do outro, até para isso. Isto parece, de longe, um excesso de individualismo, não? Mas, o justifico. Reafirmo, como sempre tenho dito, que o ser humano possui seus filtros de atenção e interesse seletivo pelos quais escolhe o que quer, quando quer e “se quer”.

Agora pondere meu extremismo ao pensar que você pode precisar deste reconhecimento por parte de alguém específico e esta pessoa pode não sentir interesse pelo seu eu projetado e não reconhecer o seu eu real e assim, sua existência para esta pessoa praticamente não existe. Pondere também uma situação onde seu padrão de projeção pessoal almeja um determinado nível de reconhecimento por parte de outros individuos – isole um, se necessário – e este nível não é alcançado. O que resultará disto? Frustração e o sentimento de que em meio a uma multidão de pessoas, você permanece sozinho.

E porque?
Porque auto suficiência é uma expressão muito bonita, somente quando sai da boca de alguém que não precisa fazer uso dela. Ficam aqui as impressões de um não-reconhecido sobre as desilusões amorosas…

sábado, 11 de abril de 2009

Ritos de passagem ...


(foto minha mesmo)


Porque, afinal, as coisas são tão complexas aos olhos dos desprovidos...

Sim, porque a providência incumbe a facilidade.
Não é dificil estar frente ao ótimo e se contentar com seu melhor.
Mas é tão difícil olhar para si na adversidade e encontrar o que os outro indicam:"continue", "prospere", "siga" ... imperativos válidos para si próprios ou para ninguém.
Agora, pratique-os! Vamos. Faça um exercício.
Coloque-se à disposição de seu melhor, sempre.
Não se contente. Não se engane.

Parece impossivel se contentar com um desempenho ruim, ainda sabendo que ele foi seu melhor, porque se seu melhor foi ruim, então, o que seria seu ruim ... um lixo?
O que você faz é bom. Será?
Excessos de auto-confiança degeneram sua veracidade.

Não é preciso escapar ao excesso. Não me refiro à humildade porque, convenhamos, poucos são os que são humildes sem saber e esta é a verdadeira e valiosa humildade. A veracidade da pessoa é o reconhecimento de sua existência limitada e limitativa.
Isto, claro, não é para todos.
Há os que nascem maravilhosos, dotados da luz ...
Não, não estou querendo ser preconceituoso ou maniqueísta. Estou tentando ver a verdade além da ética e da moral, que nada mais são do que as cortinas racionais que esondem nossa humanidade e animalidade sob um pano de fundo dócil e sociável, preocupado como outro e inadimsivelmente humildes frente às nossas limitações.

O débil perece. Eis a verdade.
O débil de beleza, perece.
O débil de inteligência, perece.
O débil de talento, perece.
O débil de verdades, nem sempre, perece.

E, nessas observações, como seguir? Como prosperar?
A desilução é a verdade de uma existência real, onde se percebe o vazio de sentido que é o ser.
Onde se encontra a verdade da falta da verdade, enquanto ela estiver dentro de cada um e longe de todos. A verdade é algo tão variável que pode levar ao bem ou ao mal, e se for alguém desprovido dos filtros do não-perecimento, estará fadado ao pior.

Quero saber como concorrerá. Como se colocará diante daquele que é melhor que si sem faltar com a verdade, ainda que "sua verdade", ainda que não sejaa verdadeira verdade intangível. Sem faltar com sua verdade. Sem manipular a verdade do outro.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Um pronome construtivo ...

Um brinde aos verbos.

Aos dias guardados em caixas. Às coisas guardadas em caixas. Pois a vida é como uma grande caixa de memórias. Tanto a é, que ao não existir mais, colocamos o que dela resta em caixas.

Aos amanhãs perdidos por medo. Aos ontens deixados para o amanhã. Ao agora ignorado. Ao silêncio perdido por vaidade. Ao momento perdido por pressa. Ao sabor perdido pelo descaso. A alegria perdida nas razões.

Às idas e vindas da vida. Para compreender que o amor não se perde, pois não há modo de se perder aquilo que nunca se teve. É preciso amar e conquistar enquanto se é jovem, pois a juventude anda junto com a beleza e a carapaça se inutiliza quando a beleza se esvainece. É mais fácil amar o belo. Mais fácil conceder ao belo.

À juventude que é bela e também à idade que a dissolve em expressões de passagem.

Ao quarto crescente da lua e a luz do quarto minguante. Ao saber do fim; pois ele nos permite criar os momentos e inventar as memórias, para que tudo pareça ter sentido.

Em cada gole de minha essência, um novo aprendizado.Graças aos verbos, que nos permitem.

Roberto DonadelliDomingo, 4 de janeiro de 2009.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Diário de um idiota...

Sabe porque idiota?
Imagine ...